CRÉDITO COMO BEM COMUM
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Crédito como bem comum

No tão comentado livro Sapiens, escrito por Yuval Noah Harari, o autor discorre em 443 páginas sobre a humanidade. Harari, que tinha 70 mil anos de história para contar (o que equivalem a 158 anos por página!), dedicou 8 páginas completas sobre o conceito de crédito. Mas, por que o conceito de crédito seria tão significativo em um livro sobre a história da humanidade? A resposta é: o crédito é a representação de uma crença coletiva de que o futuro será melhor que o passado, sendo essa crença essencial para nossa cultura e sociedade moderna.

Para entender melhor esse conceito, Harari explica:

 

[Na era pré-moderna] “…geralmente acreditavam que os tempos passados eram melhores do que sua própria época e que o futuro seria pior ou, quando muito, igual. Dito em termos econômicos, acreditavam que a quantidade total de riqueza era limitada, se é que não estava em declínio… Os negócios pareciam um jogo de soma zero. É claro, os lucros de uma padaria em particular podiam aumentar, mas só à custa da padaria em frente. Veneza podia florescer, mas só empobrecendo Gênova. O rei da Inglaterra podia enriquecer, mas só roubando o rei da

França. O bolo podia ser repartido de muitas formas diferentes, mas nunca ficava maior.

Se o bolo global permanecia do mesmo tamanho, não havia margem para crédito. O crédito é a diferença entre o bolo de hoje e o bolo de amanhã. Se o bolo continua igual, por que conceder crédito? Seria um risco inaceitável…

Foi perder-perder. Era uma situação desvantajosa para todos. Como o crédito era limitado, as pessoas tinham dificuldade para financiar novos negócios. Como havia poucos novos negócios, a economia não crescia. Como a economia não crescia, as pessoas presumiam que ela jamais cresceria, e os que tinham capital eram cautelosos com a concessão de crédito. A expectativa da estagnação se retro-alimentava…”

 

Então, a existência de um mercado verdadeiro para o crédito requer que a sociedade, no geral, acredite que o futuro será melhor e maior (em termos de riquezas) do que o passado. Portanto, se crédito nasce de uma ideia coletiva ou, em outras palavras, uma crença compartilhada, então, teoricamente, pelo menos, o crédito é compartilhado entre todas as pessoas ou considerado como um bem comum.

Mas, este conceito vai muito além da teoria. Na prática, crédito é alguém com dinheiro extra (o denominado emprestador) permitindo que outro alguém (o tomador) utilize temporariamente o dinheiro emprestado por meio de uma taxa. A atual prática do mercado é associar a taxa à quantidade de tempo que o tomador irá utilizar o dinheir

o, considerado também o risco deste não pagar o montante devido.

Em um contexto atual, se tornou comum oferecer aos outros o direito de utilizar seu carro, apartamento ou outros pertences em troca de uma taxa. Nós temos apropriadamente nomeado este processo de “economia compartilhada” com a percepção de que essa prática é recente. No entanto, os mercados de crédito se fazem presentes há muito mais tempo do que o Uber ou Airbnb, por exemplo.

Considerando o entendimento de que crédito é uma pessoa deixando outra utilizar seu dinheiro enquanto ela não está utilizando, então o crédito é o primeiro exemplo generalizado da economia compartilhada.

Dessa forma, além de poder ser considerado como um bem comum, no sentido de que todos nós precisamos acreditar em um futuro maior e melhor para os mercados de crédito existirem, crédito, em um sentido muito prático, é um bem compartilhado. Sendo assim, crédito é uma força de conexão e depende do coletivo para existir para qualquer indivíduo.

Uma vez que identificamos a natureza do crédito, parece quase inacreditável que esta é, provavelmente, a primeira vez que a maior parte de vocês tenha pensado na força de união do crédito. O motivo para isso está enraizado na estrutura do setor financeiro moderno, a qual nos aprofundaremos no próximo post.  Até lá!


Margot Greenman 
CEO and Co-founder of Captalys

 

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