O grande desafio enfrentado pelo investidor profissional não é novidade: proteger o seu capital e ao mesmo tempo, gerar retornos para que este possa crescer. Portanto, com base na crença de que existe uma equação inversa de risco X retorno, para obter um retorno maior é necessário correr mais riscos. E quanto mais risco nós assumimos, maior a probabilidade de perder capital. Por isso, os investidores estão sempre presos entre a cruz e a caldeirinha.

Sendo assim, o Santo Graal dos investidores seria encontrar uma maneira de investir que rompa com o paradigma “quanto maior o risco, maior o retorno, mas também maior a probabilidade de perda de patrimônio”. Por isso, é intrigante ler sobre o segmento de investimento em dívida privada.

Em termos globais, o volume de ativos sob gestão classificados como dívida privada aumentou de US$205 bilhões em 2007 para US$700 bilhões em outubro de 2018. Em 2023, o volume de recursos globais alocados para a dívida privada deverá dobrar para US$1,4 trilhões, segundo um estudo realizado pela Preqin, uma consultoria de investimentos alternativos.

Obviamente, qualquer segmento de investimentos que esteja crescendo nesse nível merece uma atenção maior.

Observamos que fundos de investimento que fazem parte do segmento de dívida privada em mercados desenvolvidos alocam seus recursos para os seguintes tipos de crédito:

  • Financiamento direto para empresas pequenas e de médio-porte (PMEs);
  • Aquisição de portfolios de crédito ao consumidor ou portfólios ligados ao financiamento de aquisições imobiliárias;
  • “Financiamento Mezanino”, no qual o credor pode transformar sua dívida no capital da empresa se esta não atingir os objetivos pré-estabelecidos;
  • Financiamento de restruturação de empresas com dívida “distressed”, além de,
  • Outros tipos de empréstimo estruturado não listados.

No mercado internacional, os três principais motores de crescimento no segmento de dívida privada são:

  1. Uma significante redução no volume de crédito concedido pelo sistema financeiro tradicional decorrente da crise global de 2007/2008;
  2. A busca por retornos maiores durante um longo período de juros reduzidos e,
  3. A habilidade da dívida privada de gerar retornos atrativos e frequentemente similares aos retornos oferecidos por investimentos de renda-variável, com baixa correlação com as categorias de ativos tradicionais e uma relação risco X retorno atraente.

O segmento de PMEs, que é uma das fontes de oportunidade para os fundos de dívida privada no mundo todo, registra uma demanda por crédito bem acima da quantia que as instituições financeiras tradicionais estão dispostas a conceder. Este fator é ainda mais relevante quando introduzimos o termo financiamento às PMEs. A dívida de longo-prazo para esse segmento é ainda mais escassa.

Isto indica um desequilíbrio entre oferta e demanda que pode apontar para a existência de categorias de ativos como esta, que poderiam desafiar os velhos paradigmas dos investidores. Se olharmos com mais atenção para os números, verificaremos uma consistência incrível nos retornos oferecidos pela dívida privada. Segundo mais de 92% dos investidores, seus investimentos de dívida pública atenderam ou até mesmo ultrapassaram as suas expectativas nos últimos três anos, segundo a pesquisa Prequin Dívida Privada Investor Outlook H12018.

Se levarmos em consideração a previsibilidade de um portfólio de crédito bem diversificado e bem subscrito, podemos afirmar que a dívida privada representa um novo paradigma de investimento com retornos não correlacionados, consistentes e de baixa volatilidade.